Novena da gravidez de Maria - Mês de dezembro
Está chegando o Grande Dia, em que a Promessa se cumpriu.
♡Caminhada de Oração com Maria♡
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NOVE MESES COM MARIA
(Novena da Anunciação ao Nascimento de Jesus) .
1. Fazer o Sinal da Cruz
2. Invocar o Espírito Santo 🕊
3. Oração espontânea
4. Ler a reflexão do dia
5. Oração da gravidez de Maria
6. Pai-Nosso(1), Ave-Maria(3), Glória ao Pai(1)
ORAÇÃO DA GRAVIDEZ DE MARIA
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Deus Pai, que por obra do Espírito Santo fecundaste o seio virginal de Maria e a escolheste para ser a Mãe de Jesus, nosso Salvador, eu te louvo e te agradeço por teu amor incondicional por mim, por minha família e por toda a humanidade. Sei que minha vida é regida pela tua providência; da mesma forma que chamaste Maria para uma missão tão importante, também me chamas para cumprir teus desígnios.
Quero ser fiel a ti, a exemplo de Maria que gerou o Verbo por nove meses; também quero gestar o teu Filho em meu coração até eu poder dizer como o apóstolo Paulo: "Já não sou eu quem vive, é Cristo quem vive em mim."
Nesta novena, em que acompanho diariamente os nove meses da Virgem Imaculada grávida, eu te peço a graça (...fazer o pedido...). Eu confio, amo e espero, assim como tua serva, Maria Santíssima, Mãe de Jesus. Amém.
Rezar com fé:
1 Pai-Nosso
3 Ave-Marias
1 Glória ao Pai 🕊
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Reflexões do dia🕊
1º de dezembro
"Quem será digno de subir ao monte do Senhor? Ou de permanecer no seu lugar santo?” (Salmos 23,3)
O sol ainda não tinha raiado, quando Marta chegou em casa trazendo Humilde. Acomodamos algumas coisas em trouxas sobre seu lombo. Com os olhos cheios de lágrimas e apreensão, Marta se despediu de nós, pedindo a Deus que nos conduzisse. Com um pouco de esforço, José me colocou sentada no burrinho e partimos. Logo nos primeiros quilômetros, percebemos que a viagem seria longa e difícil. Somos obrigados a parar de tempos em tempos, pois sinto muitas dores, além do desconforto com a enorme barriga.
“Não tente caminhar 🚶em um dia o percurso de uma vida.”
2 de dezembro
"Não vos esqueçais da hospitalidade pela qual alguns, sem o saberem, hospedaram anjos.”_ (Hebreus 13,2)
Passamos a noite em Naim. Procuramos aquela senhora viúva com o filho pequeno que encontramos na última viagem, e ela novamente nos acolheu. Pude descansar bastante. Com simplicidade, ela nos preparou uma boa alimentação. Na manhã de hoje continuamos nosso caminho. O sol está muito quente, quase não há água pelos lugares que passamos, por isso levamos uma boa reserva, para nós e para Humilde também. No final da tarde encontramos uma pequena gruta e resolvemos acampar, já no território da Samaria.
”Fraquejamos no caminho quando nosso coração não conhece uma meta.”
3 de dezembro
“O que tem as mãos limpas e o coração puro, cujo espírito não busca as vaidades nem perjura para enganar seu próximo. Este terá a bênção do Senhor e a recompensa de Deus, seu Salvador.” (Salmos 23,4-5)
Entramos numa região muito montanhosa, não há trilhas, temos de criar os caminhos. Há muitas pedras soltas que dificultam a marcha. José vai à frente puxando uma cordinha amarrada no pescoço de Humilde. José vai indicando o melhor caminho para o animal passar, para não haver acidentes. Mais uma vez sofremos com o forte sol. No meio da tarde tivemos de parar e não pudemos seguir nosso peregrinar, pois meus pés estavam muito inchados, além das fortes dores que comecei a sentir nas costas. José está sendo bastante prudente; ele sabe que não pode acelerar o passo, pois eu não conseguiria aguentar.
“Nem sempre podemos escolher o caminho; temos que trilhar pelas pegadas de outros.”
4 de dezembro
"Levantai, ó portas, os vossos dintéis! Levantai-vos, ó pórticos antigos, para que entre o Rei da glória!” (Salmos 23,7)
Enquanto caminhávamos, fomos surpreendidos por um bando de malfeitores, assaltantes que pareciam bastante violentos. José conversou com eles, e eu, em meu interior, rezava e pedia para que nada nos acontecesse. Por incrível que pareça, o líder do grupo se emocionou com nossa história e, por causa da minha gravidez, resolveu deixar que seguíssemos nosso caminho. Foi um grande susto, mas Deus nos protegeu. No final da tarde já estávamos exaustos, quando escutamos o barulho de água de um pequeno riacho. Resolvemos parar e passarmos a noite na beira do córrego. Encontrar esse riacho foi um presente divino, pois pudemos nos refrescar e renovar nossas forças.
”O cansaço do dever cumprido é melhor que o descanso pela omissão.”
5 de dezembro
"Quem é este Rei da glória? É o Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na batalha. Levantai, ó portas, os vossos dintéis! Levantaivos, ó pórticos antigos, para que entre o Rei da glória!” (Salmos 23,8- 9)
Hoje entramos em uma região muito íngreme, até José estava sentindo dificuldade em caminhar. Ainda pela manhã eu comecei a sentir câimbras na região lombar. Embora eu não esteja fazendo esforço em caminhar, não é nada confortável para uma grávida de mais de oito meses estar todo o tempo montada em um burrinho. Na hora que paramos para descansar, José retirou suas sandálias e pude perceber os muitos ferimentos de seus pés. Fiz algumas compressas com ervas nos pés de José, que não reclama. Ele sofre calado, mas sempre com um sorriso no rosto, tentando me encher de alegria. Ele queria continuar mais um pouco, mas, para poupá-lo, eu disse que preferia passar a noite neste local.
”Quando nossas lamúrias são maiores que nossa esperança, então a vida perdeu o brilho.”
6 de dezembro
"Tende, pois, paciência, meus irmãos, até a vinda do Senhor. Vede o lavrador: ele aguarda o precioso fruto da terra e tem paciência até receber a chuva do outono e a da primavera.” (Tiago 5,7)
Levantamos bem cedo. A intenção de José é caminharmos o máximo que pudermos hoje até o entardecer, início do descanso de sábado. E assim fizemos, por mais que minhas dores aumentassem, eu me mantive firme. Para passar o tempo e me animar, José resolveu entoar alguns cânticos. Foi um momento divertido, pois ele se lembrou de muitas canções que seus pais cantavam para ele em sua infância. Em determinada hora ele disse assim: “Jesus, espero que você não esteja enjoado das minhas canções, pois você ainda vai ouvi-las muitas e muitas vezes”. Demos risada, seguimos o caminho e paramos assim que o sol começou a se pôr.
”Não torne a vida de quem caminha com você mais pesada do que ela já é; seja você o auxílio, nunca o peso.”
7 de dezembro
"Tende também vós paciência e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima. ” (Tiago 5,8)
De manhã fizemos nossas orações costumeiras. Tiramos o dia para de fato descansarmos, e fiquei deitada quase todo tempo. Foi um dia especial para José e eu conversarmos. José perguntou-me: “Maria, esse sofrimento que estamos passando terá alguma coisa a ver com o mistério que nos envolve?”. Fiquei um tempo em silêncio e respondi: “Confesso que não sei. Eu estou preocupada, mas também creio que tudo se resolverá”. Depois disso José me abraçou e disse ao meu ouvido: “Eu a admiro muito, mulher”.
”Nem sempre conseguiremos dar resposta a tudo, é justamente por isso que a grande graça é a confiança em Deus.”
8 de dezembro
"Não vos queixeis uns dos outros, para que não sejais julgados. Eis que o juiz está à porta. Tomai, irmãos, por modelo de paciência e de coragem os profetas, que falaram em nome do Senhor. Vós sabeis que felicitamos os que suportam os sofrimentos de Jó.” (Tiago 5,5- 11)
No meio do difícil caminho, José recitou uma passagem do profeta Baruc: _Tira, Jerusalém, a veste de luto e de miséria; reveste, para sempre, os adornos da glória divina. Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus, e coloca sobre a cabeça o diadema da glória do Eterno. Deus vai mostrar à terra, e sob todos os céus, teu esplendor. Eis o nome que te é dado por Deus, para todo o sempre: Paz da Justiça e Esplendor do temor a Deus! Ergue-te, Jerusalém, galga os cumes e olha para o oriente! Olha: ao chamado do Altíssimo, reúnem-se teus filhos, desde o poente ao levante, felizes por se haver Deus lembrado deles. Quando de ti partiram, caminhavam a pé, arrastados pelos inimigos. Deus, porém, tos devolve, conduzidos com honras, quais príncipes reais, porque Deus dispôs que sejam abaixados os montes e as colinas, e enchidos os vales para que se una o solo, para que Israel caminhe com segurança sob a glória divina. As florestas e as árvores de suave fragrância darão sombra a Israel por ordem do Senhor. Em verdade, é o próprio Deus quem conduz Israel, pleno de júbilo no esplendor de sua majestade, pela sua justiça, pela sua misericórdia!_ (Baruc 5,1-9). José concluiu: “Jerusalém somos nós, somos nós!”.
”O Senhor nos dá motivo para a felicidade, porém a tarefa de tirarmos a veste de luto é nossa."
9 de dezembro
“O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz.” (Isaías 9,1)
Por volta do meio-dia chegamos à cidade de Samaria. José conseguiu alugar um pequeno quarto em uma hospedaria local. Foi importante dar essa parada. Os donos da pousada são um casal de samaritanos já bem idosos. Apesar das nossas diferenças religiosas, eles nos trataram com muito carinho. A senhora fez uns chás para aliviar minhas dores nas costas e fez também uns banhos para desinchar meus pés. Eles também se encarregaram de alimentar Humilde que, assim como nós, estava exausto, pobre animal. À noite, eu dormi como uma pedra em lençóis limpinhos e cheirosos.
”Quando o respeito deixa de lado as diferenças, então Deus reina.”
10 de dezembro
"Vós suscitais um grande regozijo, provocais uma imensa alegria; rejubilam-se diante de vós como na alegria da colheita, como exultam na partilha dos despojos.” (Isaías 9,2)
Nesta manhã, nos despedimos do simpático casal e seguimos nosso caminho, adiantando bastante o percurso. Conseguimos chegar até o monte Ebal, que fica numa região bem bonita. O plano de José é caminharmos bastante hoje, aproveitando que estamos bem descansados. No final da tarde, ao redor do poço de Jacó, resolvemos montar nosso acampamento. Enquanto nos refrescávamos, José pediu para que eu olhasse à frente, apontando o monte Garizim, sagrado para os samaritanos. Sorrindo, continuou: “Renove suas forças, pois amanhã teremos que atravessá-lo”.
”Nossa meta deve estar diante de nós, nunca atrás."
11 de dezembro
"Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros, e ele se chama: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz.” (Isaías 9,5)
No alto do monte Garizim, eu pedi para pararmos um momento, pois senti um grande desejo de rezar. Diante de algumas ruínas que ainda sobraram do templo dos samaritanos, destruído há mais de um século, eu pedi ao Senhor pela unidade de todos os povos. Nessa hora, senti que Jesus se solidarizava na prece, pois ele se mexia com agilidade dentro de mim. Pedi para José colocar a mão na minha barriga. Ele ficou preocupado, se questionando se já não seria um sinal de que a hora do parto tinha chegado. Eu ri e disse: “Vamos, temos muito que caminhar!”.
”Quando nossa alma sente vontade de rezar, não é uma simples necessidade pessoal, mas uma convocação do Espírito.”
12 de dezembro
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens.” (João 1,1-4)
Tivemos um dia bem difícil, enfrentamos uma região muito seca, quase sem vegetação. O sol mais uma vez nos castigou muito. As dores em minha coluna aumentaram muito. Tentei disfarçar para poupar José, mas ele percebeu e sugeriu que novamente parássemos para descansar o resto do dia. Minha preocupação é que essas paradas façam a viagem se prolongar, mas eu sei que não posso abusar. A melhor coisa a fazer é não forçar e caminhar no ritmo que nossas forças aguentam.
”Respeitar nosso ritmo é saber prolongar nossa vida.”
13 de dezembro
"Juro por mim mesmo, diz o Senhor: pois que fizeste isto, e não me recusaste teu filho, teu filho único, eu te abençoarei. Multiplicarei a tua posteridade como as estrelas do céu, e como a areia na praia do mar.” (Gênesis 22,16-17a)
Depois de mais um dia de duro peregrinar, no alto de um pequeno monte descampado, resolvemos acampar. Antes de dormir, olhei a beleza do céu estrelado e rezei em meu coração: “A promessa feita a Abrão foi cumprida, descendência mais numerosa que as estrelas do céu. Eu te louvo, Senhor, pois tu sempre cumpres o que prometes, não levas em consideração o medo ou a falta de fé de teus servos. Eu sei, Senhor, que eu não caminho sozinha, estás comigo em todo tempo e lugar, faz Senhor, que o medo que eu sinto agora não me impeça de seguir o caminho que eu devo seguir”.
”Quando lhe faltarem motivos para louvar, olhe à sua volta e, por mais que você não perceba a beleza em sua vida, verá que Deus continua agindo ao seu redor.”
14 de dezembro
"Mas todo o que invocar o nome do Senhor será poupado, porque, sobre o monte Sião e em Jerusalém, haverá um resto, como o Senhor disse, e entre os sobreviventes estarão os que o Senhor tiver chamado.” (Joel 3,5)
Respeitando nossa tradição, hoje não caminhamos, respeitamos o sábado. Meus pés estão inchados, meus lábios estão bastante ressecados pela baixa umidade do tempo. José fez uma cabana para nos proteger do sol. Foi um dia exaustivo, talvez piorasse se continuássemos a caminhar. As horas não passavam; as dores em meu corpo não diminuíam. Até o pobre animal deu sinais de esgotamento. Ainda falta um longo caminho até chegarmos a Belém. Mais uma vez o Senhor exige de nós a paciência tão necessária.
”A esperança faz gerar a paciência, uma depende da outra.”
15 de dezembro
"Alguém entre vós está triste? Reze! Está alegre? Cante.” (Tiago 5,13)
Pelas nossas contas, já deixamos o território da Samaria e entramos na região da Judeia. Seguimos nosso caminho pelas montanhas. Em um determinado momento, José cantou para mim um hino inspirado no profeta Sofonias: Solta gritos de alegria, filha de Sião! Solta gritos de júbilo, ó Israel! Alegra-te e rejubila-te de todo o teu coração, filha de Jerusalém! O Senhor revogou a sentença pronunciada contra ti e afastou o teu inimigo. O rei de Israel, que é o Senhor, está no meio de ti; não conhecerás mais a desgraça. Naquele dia, dir-se-á em Jerusalém: “Não temas, Sião! Não se enfraqueçam os teus braços!”. (Sofonias 3,14-16)
”A Palavra de Deus pode nos revelar todo o amor que o Criador tem por nós.”
16 de dezembro
“Quando ela lhes veio ao encontro, abençoaram-na todos a uma só voz, dizendo: Tu és a glória de Jerusalém; Tu és a alegria de Israel, tu és a honra de nosso povo.” (Judite 15,10)
José percebeu que o cântico de Sofonias me fez bem, enchendo-me de alegria, então narrou a continuação dessa profecia: “O Senhor teu Deus está no meio de ti como herói Salvador! Ele anda em transportes de alegria por causa de ti e te renova seu amor. Ele exulta de alegria a teu respeito como num dia de festa”. Suprimirei os que te feriram, tirarei a vergonha que pesa sobre ti. Exterminarei, naquele dia, todos os teus opressores. Salvarei os coxos, recolherei os dispersos, farei deles um objeto de louvor, e de sua vergonha uma glória para toda a terra, no tempo em que eu vos reconduzir, no tempo em que vos recolher, porque farei de vós um objeto de glória e de louvor entre todos os povos da terra, quando eu tiver realizado a vossa restauração sob os vossos olhos, diz o Senhor. (Sofonias 3,17-20). E José acrescentou: *_“Todas as vezes que você estiver triste, lembre-se destas palavras”.
”Nossa alegria é a alegria de Deus.”
17 de dezembro
"Mudou o deserto em lençol de água, e a terra árida em abundantes fontes.” (Salmo 106,35)
No final da tarde, depois de muito caminharmos pelo deserto escaldante, chegamos a Efraim. José resolveu passar por aqui para podermos descansar um pouco. Encontramos uma pousada e ali ficamos. O deserto parece que sugou de nós todas as energias que guardávamos. Nada melhor que um bom banho, uma alimentação consistente e uma boa noite de sono para nos revigorar. Fomos dormir bem cedo, quase não tivemos tempo para conversar, pois foi o tempo de deitar para adormecermos.
”Na caminhada da vida entramos em muitos lugares para reclinarmos a cabeça, mas se quisermos continuar vivendo temos que dar continuidade à nossa peregrinação.”
18 de dezembro
"– Quem é esta que sobe do deserto apoiada em seu bem-amado? – Sob a macieira eu te despertei, onde em dores te deu à luz tua mãe, onde em dores te pôs no mundo tua mãe.” (Cântico dos Cânticos 8,5)
“Enquanto seguimos pelo deserto, senti fortes contrações, cheguei a pensar que eu tinha entrado em trabalho de parto. Mas foi só um susto, depois de um tempo, parada e respirando fundo, as dores passaram. Fiquei bastante apreensiva de Jesus nascer no meio dessa região tão sem vida. Preocupado, porém, ficou José, ele não sabia o que fazer. Depois que os ânimos se acalmaram, seguimos nosso caminho. No final da tarde encontramos uma gruta não muito profunda, que nos garantiu proteção contra o forte vento que fez esta noite.”
”Quem determina é Deus, nossa função é cumprir.”
19 de dezembro
"Levanta-te e come, porque tens um longo caminho a percorrer.” (1Reis 19,7b)
Hoje conseguimos adiantar bastante nossa trajetória. Tive ainda algumas contrações, mas resisti com força, pois sabia que não podíamos perder tempo. Pobre José, ele deve estar exausto. Eu bem sei que, quando caminhamos em nosso ritmo normal, não nos cansamos tanto; porém, quando temos que andar contando os passos, o esgotamento físico é maior. Ele está com o rosto todo queimado, seus pés também estão cheios de bolhas. Apesar de todo esse sofrimento, ele só pensa em meu bem-estar.
”Esteja do lado de quem precisa de você. O esgotamento pelo serviço prestado se transforma em alegria de ter sido útil.”
20 de dezembro
"Estou devorado de zelo pelo Senhor, o Deus dos exércitos.” (1Reis 19,10a)
Pelas contas de José já estamos bem próximos de Jerusalém. O plano dele é forçarmos nosso ritmo para até o final da tarde chegarmos lá. E assim fizemos; antes mesmo de o sol se pôr, chegamos a Jerusalém. Amanhã é sábado, assim passaremos todo o dia aqui, para depois seguirmos viagem. Perto do Templo encontramos uma boa hospedagem. A cidade está bem movimentada por causa do recenseamento, pessoas vindas de todos os lados estão concentradas aqui. Louvei o Senhor assim que vi o Templo; senti-me mais segura.
”Quando caminhar com o Senhor, cada passo é motivo para rendermos graças.”
21 de dezembro
“Eis o que o Senhor proclama até os confins da terra: “Dizei a Sião: eis, aí vem teu salvador; eis com ele o preço de sua vitória…”.(Isaías 62,11)
José, ao se levantar, perguntou se eu estava bem; eu afirmei que sim, então ele disse que pretendia ir ao templo rezar para agradecer a viagem até agora. Assim que retornou, visivelmente feliz, ele me falou a leitura de Miqueias que ouvira no Templo: _”Mas tu, Belém-Efrata, tão pequena entre os clãs de Judá, é de ti que sairá para mim aquele que é chamado a governar Israel. Suas origens remontam aos tempos antigos, aos dias do longínquo passado. Por isso, (Deus) os deixará, até o tempo em que der à luz aquela que há de dar à luz. Então o resto de seus irmãos voltará para junto dos filhos de Israel. Ele se levantará para (os) apascentar, com o poder do Senhor, com a majestade do nome do Senhor, seu Deus. Os seus viverão em segurança, porque ele será exaltado até os confins da terra. E assim será a paz.” Com os olhos cheios de lágrimas, José complementou: “Jesus provavelmente nascerá em Belém!”
“Nossa casa deve ser Belém.”
22 de dezembro
“…mas ninguém me quer acolher…”(Juízes 19,18c)
Acordamos um pouco mais tarde e logo em seguida seguimos em direção de Belém, que fica a mais ou menos uns quinze quilômetros de Jerusalém. Essa trajetória nos deu segurança, pois não é tão deserta; encontramos gente circulando todo o tempo. Eu sinto que Jesus nascerá por estes dias: novamente senti contrações, mas nada muito forte, nem comentei com José. Aceleramos o passo e chegamos à noitinha na cidade. José tentou encontrar uma pousada, mas a tentativa foi em vão. A cidade está cheia de gente. Saímos um pouco do perímetro urbano e encontramos um estábulo; foi nossa salvação. Decidimos pernoitar aí.
”O seu coração é o lugar onde José e Maria pedem para dar à luz Jesus.”
23 de dezembro
“Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas.” (Apocalipse 12,1)
Levantamos cedo e a primeira coisa que fizemos foi cumprir nossa obrigação, o motivo da nossa longa viagem. Enfrentamos uma longa fila e um pouco depois do almoço conseguimos fazer o recenseamento. Depois veio a parte mais difícil: passamos em todas as hospedarias e não encontramos lugar em nenhuma delas. Fomos à sinagoga pedir ajuda, e nos aconselharam a voltar a Jerusalém; porém eu não aguentaria mais uma viagem, por mais curta que fosse. Decidimos, por indicação de pessoas que encontrávamos na rua, passar em algumas casas que talvez pudessem nos acolher. Mesmo vendo minha situação, ninguém se sensibilizou. Lembrei-me dos ladrões que tiveram misericórdia de nós pelo caminho. Já havia escurecido quando voltamos para o estábulo em que havíamos passado a noite.
”Quando o mundo vira as costas para você, Deus sempre abrirá os braços para acolhê-lo.”
24 de dezembro
“Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz.” (Apocalipse 12,2)
Não tive forças para buscar um lugar digno para Jesus nascer. José, com medo de me deixar sozinha, ficou comigo todo tempo. Na tarde deste dia começaram as fortes contrações, a bolsa estourou e eu sabia que a hora de Jesus nascer havia chegado. Senti uma mistura de sentimentos, algo que não consigo explicar, porém o que eu sentia mais forte era uma grande força, uma coragem. Eu havia esquecido a dificuldade da viagem, a precariedade do lugar em que estávamos, todos os sofrimentos… A única coisa naquele momento que importava era a alegria de saber que em poucas horas a promessa de Deus estaria em meus braços. José esteve todo o tempo comigo, segurando minha mão.
”Deixe nascer em você hoje o desejo de perdoar, faça deste Natal algo que mude sua vida.”
25 de dezembro
“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade.” (João 1,14)
Nas primeiras horas desta madrugada, Jesus veio ao mundo. Não tenho palavras para expressar o que senti. Assim que ele nasceu, olhei para o seu rostinho e uma grande emoção tomou conta de mim: chorei e agradeci a bondade do Senhor. Jesus é uma criança linda. Em seguida, José, todo emocionado, enrolou no menino o manto que eu havia feito e deitou-o em meu colo. Eu tinha vontade de gritar ao mundo a alegria que me envolvia. Depois de um tempo, José transformou a manjedoura em um tipo de bercinho e ali reclinamos o menino, que dormia enquanto o vigiávamos. Humilde e os outros animais se aproximaram e pareciam festejar conosco. Noite santa, noite bela. A palavra de Deus se fez carne. O Emanuel habita entre nós.
”Hoje somos convidados a ser José e Maria e a afagarmos o Menino que chega para alegrar nossas vidas.”
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Toda a honra e Toda a Glória a Deus que é Nosso Pai e nos Amou Verdadeiramente em Cristo Jesus que veio ao mundo através de Maria Santíssima, na qual Deus quis repousar o seu Espírito Santo.